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Estabilização do voo e passagem pela Albufeira do Távora
 
 
Recebo informação dos controladores aéreos que terei de subir a aeronave até 3.000 metros de altura, visto que a altitude mais baixa provoca grandes ruídos sobre o solo. É pena pois assim teremos de efectua as fotos com um zoom mais potente.

E assim foi:
como podem observar, elevo a máquina para a altura que me foi participada e indicada, e vamos lá então virar e tomar a rota em direcção à albufeira da Barragem do Vilar.

Para que saibam, barragem construída em finais da década de 50, começou a encher no início dos anos 60, afundando o mais rico, próspero e fértil vale do concelho de Sernancelhe, incluindo uma aldeia, a Faia e destruindo 3 pontes Romanas: a que ligava Fonte-Arcada ao Vilar, a do Pontigo em Freixinho e a de Vila da Ponte.
Concerteza que na actualidade com o cada vez mais baixo índice de pluviosidades, seria impensável sonhar e arquitectar esta obra de engenharia, que eram as modas da altura...
 
Eis-nos a ver à esquerda a aldeia de Escurquela
Situada na ponta norte do concelho, próximo da margem esquerda do rio Távora, dista 15 quilómetros da vila de Sernancelhe.

Escurquela é povoação de remota antiguidade.
Num outeiro situado a nascente apareceram restos de construções antigas, e nos arredores há vestígios de sete fortificações.

O próprio nome da terra parece indicar o seu antigo valor estratégico, pois tem-se como diminutivo de esculca (sentinela, vigia, guarda avançada). No outeiro referido levanta-se a Capela de S. Tiago, que, segundo a tradição, foi a primeira matriz, ligando-se o seu nome a velhas histórias de batalhas entre mouros e cristãos, em tempo do domínio godo.

Em baixo Fonte Arcada: situada perto da margem direita de Távora, no nordeste do concelho, dista dez quilómetros da vila de Sernancelhe.
Fonte Arcada, de grande vetustez, conserva o cunho arcaico e típico das velhas povoações. É de crer que fosse habitada na época proto-histórica, embora faltem os documentos arqueológicos. Informa a tradição que foi arabizada no século X.

O Topónimo provém provavelmente de uma fonte romana com arcada existente no próximo lugar de Toca da Moura. É fonte de charco, aberta por um arco ogivado (obra do século XII)
A povoação desenvolveu-se especialmente entre os séculos XIV e XVII, facto que é comprovado por vários documentos.
O concelho de Fonte Arcada, desde sempre ligado à nobreza, só foi extinto em 1855, tendo passado ao de Sernancelhe, à excepção de Vilar, que passou para moimenta da Beira. Trata-se de um importante concelho medieval a que pertenciam as freguesias de Escurquela, Chosendo, Freixinho, ferreirim, Macieira

e a já citada Vilar.
Agora lá ao longe Faia: situada na margem esquerda do rio Távora. Pertenceu, como paróquia, à Universidade de Coimbra e administrativamente ao concelho de Caria, até 1855. No primeiro caso, a Universidade não se limitou à apresentação do pároco, mas estimulou e orientou a construção da própria igreja matriz.
Algumas propriedades da freguesia pagavam rendas à Universidade de Coimbra e estavam por isso demarcadas com os marcos respectivos.
 

O povoamento inicial é certamente muito antigo e anterior à Nacionalidade, talvez da época da ocupação romana da região. Por aqui passava uma via dessa época, atestada por marcos miliários dos quais, um apareceu junto à igreja matriz e outro na Quinta da Lagoa. Os túmulos de pedra do caminho da rua parecem confirmar esse antigo povoamento. Nesta quinta da Lagoa, fica a chamada Casa da Torre, a que andam ligadas memórias dum senhor rico e violento em questões com seus vizinhos e que se escondia num subterrâneo que lhe contruira o diabo...
 

A Albufeira do Távora vista agora aos 3.000 metro de altura, na sua plenitude é soberba, grandiosa e transmite cá de cima uma imagem do território pacífico, um espaço que parece uma região específica de turismo.

À direita na zona mais próxima é bem visível Freixinho e um pouco mais distante à esquerda a Faia já referida em cima.

O monte contemplado ao fundo é da pertença já de Moimenta da Beira e a zona mais Alta pertence a Cabaços e onde se localiza o S. Trocatro.
Paisagem maravilhosa de postal realmente.

 

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